

Autos de processo que demorou 107 anos serão doados à Universidade de Rio Grande
O processo do inventário do comendador
Domingos Faustino Correa
será doado definitivamente ao Departamento de Biblioteconomia e História da
Fundação Universidade Federal de Rio Grande. A decisão é do Conselho da
Magistratura do TJRS. O processo tramitou durante 107 anos e é considerado o
mais longo de toda a história do Judiciário do Brasil. A FURG manifestou
interesse em abrigar, tratar e preservar a documentação através do seu Centro de
Documentação Histórica.
Laudo histórico que instrui o pedido informa que as 500 caixas estão devidamente
catalogadas. O material é valorizado por conter papéis datados do ano de 1874, a
genealogia das famílias e a história da migração e formação das diferentes
linhagens dos que se dizem descendentes do Comendador. Consta do texto publicado
pela pesquisadora e servidora Virgilina E. Gularte S. Fedelis de Palma, do Foro
de Rio Grande, na revista Justiça & História, vol. 1, do Centro de Memória
(atual Memorial do Judiciário) que "o processo de inventário do comendador
Faustino é, com certeza, o feito que mais tempo demandou na Justiça do RS".
O comendador, no leito de morte, mandou redigir seu testamento em 11 de junho de
1873, vindo a falecer 18 dias após. O inventário deu entrada no Foro de Rio
Grande em 27 de junho de 1874. O processo tramitou por 107 anos, gerando uma
verdadeira corrida atrás do “ouro” alegadamente deixado pelo inventariado. Ao
longo desse tempo, milhares de ´herdeiros´ se habilitaram à herança. A meação do
comendador jamais foi partilhada aos supostos herdeiros. A solução se deu a
partir da designação de um juiz (Carlos Roberto Nunes Lengler) especialmente
para presidir, sanear e julgar o feito. Todos os mais de 1.200 volumes
processuais foram trazidos a Porto Alegre no início dos anos 80 e, seis meses
depois o processo teve sentença.
Talvez o caso de Viamão - inventário que já dura quase 70 anos - esteja a
recomendar semelhante designação especial de um juiz. Enquete realizada por este
saite apontou altos índices de insatisfação de advogados e estagiários em
relação às três varas cíveis da comarca. (com informações do TJRS e da redação
do Espaço Vital ).

Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul
http://www.mp.rs.gov.br/imprensa/clipping/id44199.htm
Espaço Vital Virtual

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